Crítica: Street Fighter (2026)
Uma adaptação fiel não é necessariamente um ótimo filme.
Fomos à pré-estreia de Street Fighter a convite da Paramount Pictures e trouxemos em primeira mão nossa sincera opinião sobre essa terceira tentativa de trazer esse universo ao cinema (sim, terceira: antes tivemos o filme de 94 e em 2009 aquele filme da Chun-Li com a Kristin Kreuk).
Acompanhamos aqui a história de Ken e Ryu, interpretados respectivamente por Noah Centineo (sim, o cara de “Para Todos os Garotos que Já Amei”) e Andrew Koji. Aqui ambos convencem no papel e funcionam no filme com boa dinâmica e carisma, por mais que o Ken do Noah seja um pouco mais bobo do que deveria – embora isso seja muito mais uma questão de roteiro do que da interpretação do ator – eles entregam bons momentos juntos, mas também alguns péssimos.
Acontece que o filme tem como meta não se levar a sério, e isso pesa demais contra, inclusive em alguns momentos em que a relação de Ken e Ryu pede um pouco mais de seriedade e isso é quebrado de maneira tão abrupta com uma piada, e o pior é que as piadas são daquelas contadas por um tio no churrasco de domingo, o que acaba travando o desenvolvimento do drama e o nosso engajamento emocional nas cenas.
Essas piadas fora de tom e hora infelizmente também não dialogam muito bem com as excelentes cenas de flashback em anime. Com animações perfeitas em todos os sentidos, foi uma grata surpresa descobrir que o filme tem mais dessas cenas do que o esperado, e poderia ter mais, já que são muito boas. Aliás, já deixo a dica, fiquem nos créditos, pois temos uma cena que pode ser muito gratificante para os mais fanáticos pelo universo dos jogos.
Outra personagem esperada e que entra muito bem nessa versão é a querida Chun-Li, aqui interpretada pela Callina Liang, trazendo tudo o que se espera da personagem e com uma subtrama própria, com direito aos incríveis flashbacks, que ainda que não roube o protagonismo, é interessante. Sim, toda essa história dela é mais bagunçada do que deveria e mal costurada à trama principal, mas ainda assim funciona. Infelizmente tudo isso é atrapalhado por um personagem desenvolvido como uma crítica a objetificação da Chun-Li, o que não funciona e ainda pode ser mal interpretado.
Dão as caras também boa parte dos personagens jogáveis dos games, todos funcionais e com pontuais participações que servem apenas para apresentá-los ao público e servir o esperado fan service, com exceção de Dhalsim e Guile, que têm uma inesperada química neste filme e servem muitas vezes de alívio cômico. Já o nosso conterrâneo Blanka tem uma participação esquecível e com piadas ruins, que combinam com a estranheza do CGI.
As lutas são o ponto alto do filme, como era de se esperar, mas isso não significa que elas sejam memoráveis. Aliás, as lutas são bem menos frequentes do que o título sugere, mas elas estão presentes e vão fazer os fãs mais entusiasmados vibrarem, mas só eles, o restante se conforma com lutas bem ensaiadas e legais, apenas. O que consola são os golpes mais emblemáticos surgirem na tela, bem dirigidos e com efeitos convincentes e uma edição maluca, que me agradou, mas pode não funcionar para todos.
Sobre a história não há muito o que dizer: temos aqui mais uma edição do torneio mundial e, como você deve esperar, existe um plano maligno por trás disso. Como você também deve esperar, o responsável pelo plano é ele, o terrível M. Bison, vivido por David Dastmalchian. Não estamos falando do melhor personagem do filme, mas a estranheza do intérprete junto com a escolha de como interpretá-lo confere algumas camadas que eu não estava esperando e gera aquele tipo de humor quase involuntário, que funciona de maneira bem eficiente.
Entre socos e piadas no pior estilo Marvel, Street Fighter convence como filme e até entretém, mas está longe de ser uma ótima porta de entrada do universo dos games no cinema. O fiapo de história está longe de ser incrível, mas não podemos dizer que se trata de uma péssima adaptação, já que o material usado como fonte carece de sustância. Cabia ao filme trazer elementos que sustentassem melhor a trama, mas ele se conforma em entregar só o básico. Talvez isso seja mais bem desenvolvido em um segundo round, já que essa é apenas a primeira parte de uma história maior, mas até lá fica um gostinho que só lutamos com o Toyota.




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