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The Boys Temporada 5: um final imperfeito, mas digno de uma das séries mais caóticas da TV

  • Foto do escritor: Renato Shuayzer
    Renato Shuayzer
  • 5 de jun.
  • 5 min de leitura

Após anos chocando o público com violência extrema, sátiras políticas afiadas e personagens moralmente questionáveis, The Boys finalmente chegou ao fim com sua quinta temporada. E como já era esperado, o encerramento dividiu opiniões.

Enquanto parte dos fãs considerou a temporada lenta e aquém do que uma conclusão deveria entregar, outros enxergaram nela um fechamento emocional satisfatório para personagens que acompanhamos desde 2019. A verdade é que a última temporada está longe de ser perfeita, mas também passa longe de ser o desastre que muitos tentam pintar.


Uma temporada que sofre com as expectativas

Talvez o maior problema da quinta temporada não esteja no roteiro em si, mas na expectativa criada ao seu redor.

Quando uma série chega ao capítulo final, o público naturalmente espera algo gigantesco. Batalhas épicas, reviravoltas chocantes, mortes impactantes e um encerramento que entre para a história.

Com The Boys, muita gente esperava algo próximo de um "Vingadores: Ultimato" particular do universo da série. Um confronto gigantesco envolvendo todos os supers, destruição em larga escala e uma guerra sem limites.

Mas não foi isso que aconteceu.

A temporada opta por focar muito mais nos personagens e nas consequências de tudo que foi construído ao longo dos anos do que simplesmente entregar ação desenfreada. Em alguns momentos isso funciona muito bem. Em outros, acaba deixando a sensação de que faltou ambição.


Homelander continua sendo o coração da série


Se existe algo que permanece impecável até o último episódio é a atuação de Antony Starr.

Homelander continua sendo um dos vilões mais fascinantes da televisão moderna. O personagem que, na primeira temporada, fingia ser um herói exemplar diante das câmeras, finalmente abandona qualquer tentativa de esconder sua verdadeira natureza.

E essa evolução é uma das grandes forças da série.

Ao revisitar os primeiros episódios, fica evidente como Homelander mudou. Antes havia manipulação. Agora existe apenas arrogância, poder absoluto e a certeza de que ninguém pode pará-lo.

A série construiu essa transformação de forma gradual ao longo de cinco temporadas, tornando o personagem cada vez mais imprevisível e perigoso. O resultado é um antagonista que domina qualquer cena em que aparece.

Mesmo quando o roteiro oscila, Antony Starr mantém tudo funcionando.


O grande problema: o V1 e as oportunidades desperdiçadas


Entre os diversos pontos discutíveis da temporada, nenhum decepciona tanto quanto a trama envolvendo o V1.

Durante boa parte dos episódios, a série investe tempo construindo a importância desse elemento. A narrativa faz parecer que ele terá um papel decisivo nos eventos finais.

Mas quando chega a hora de entregar resultados, a sensação é de vazio.

O público passa episódios acompanhando essa busca esperando consequências significativas, apenas para perceber que boa parte desse desenvolvimento acaba tendo impacto muito menor do que o esperado.

Não é que a ideia seja ruim. O problema está na execução.

A temporada gasta energia demais preparando algo que nunca alcança o potencial prometido.


Menos ação do que deveria


Outro ponto que certamente frustrará alguns espectadores é a quantidade de confrontos.

Para uma temporada final, existe relativamente pouca ação realmente memorável.

Há momentos divertidos, participações curiosas e alguns supers excêntricos que mantêm o espírito absurdo da série vivo. Porém, falta aquela sensação de escalada constante que normalmente acompanha um encerramento de grande porte.

Em diversos momentos parece que The Boys está segurando o freio quando deveria acelerar.

A consequência é que alguns episódios passam a impressão de estarem preparando algo gigantesco que demora mais do que deveria para acontecer.


O episódio final salva a temporada?


Em grande parte, sim.

Embora o caminho até ele seja irregular, o último episódio entrega boa parte da emoção que faltava ao restante da temporada.

O confronto final possui peso emocional porque está diretamente ligado aos personagens que acompanhamos durante anos. A série entende que o verdadeiro conflito nunca foi apenas físico.

Era uma batalha de ideologias.

Era Billy Bruto contra Homelander.

Era a obsessão contra a redenção.

Era o desejo de vingança contra a possibilidade de seguir em frente.

Por isso, mesmo sem apresentar a batalha mais grandiosa da história da televisão, o episódio consegue funcionar emocionalmente.


Billy Bruto recebe um encerramento melhor que nos quadrinhos


Uma das decisões mais acertadas da adaptação está justamente no tratamento dado a Billy Bruto.

Nos quadrinhos, o personagem segue um caminho muito mais sombrio, tornando-se praticamente tão monstruoso quanto aqueles que combate.

A série opta por um desfecho diferente.

Sem abandonar a brutalidade que define o personagem, o roteiro consegue preservar parte da humanidade que foi construída ao longo das temporadas. Isso torna sua conclusão muito mais satisfatória e coerente com a jornada apresentada na televisão.

É uma das raras ocasiões em que a adaptação supera claramente o material original.


Ryan continua sendo um potencial desperdiçado


Se existe um personagem que poderia ter sido mais importante no final, esse personagem é Ryan.

Desde sua introdução, o filho de Homelander parecia destinado a desempenhar um papel decisivo na conclusão da história.

A série constantemente sugere um conflito interno entre o lado humano herdado de sua mãe e a influência tóxica exercida por seu pai.

Mas quando chega a hora de resolver essa trama, a sensação é de que faltou coragem para levá-la até as últimas consequências.

Ryan participa dos eventos finais, mas nunca se torna a peça central que muitos imaginavam.


As conexões com os spin-offs atrapalham


Outro problema evidente é a dependência crescente dos derivados.

A sensação em vários momentos é que certas pontas foram deixadas propositalmente abertas para serem exploradas em futuras produções.

Isso enfraquece o encerramento.

Uma série principal deveria resolver seus próprios conflitos antes de abrir portas para novas histórias. Quando respostas importantes são empurradas para spin-offs, o final inevitavelmente perde impacto.

É um erro cada vez mais comum em franquias modernas, e The Boys não escapa completamente dele.


Ainda é uma das melhores séries de super-heróis já feitas


Apesar dos defeitos, seria injusto avaliar a temporada final ignorando tudo o que a série construiu.

The Boys redefiniu a forma como histórias de super-heróis podem ser contadas na televisão.

Transformou figuras supostamente heroicas em celebridades corruptas, explorou temas políticos sem medo de polêmicas e criou alguns dos personagens mais memoráveis da última década.

Poucas séries conseguiram gerar tantos memes, debates e momentos icônicos quanto esta.

E mesmo quando falha, continua sendo mais interessante do que boa parte da concorrência.


Veredito final


A quinta temporada não é o encerramento perfeito que muitos sonhavam.

Ela sofre com ritmo irregular, tramas que não alcançam todo seu potencial e algumas decisões questionáveis envolvendo personagens importantes.

Por outro lado, entrega um final emocionalmente satisfatório para os protagonistas centrais, mantém o excelente trabalho de Antony Starr como Homelander e evita cair nos mesmos erros catastróficos que marcaram finais controversos de outras grandes séries.

Não é um adeus impecável.

Mas é um adeus digno.


Nota da Temporada 5: 7/10

Nota da série completa: 8,5/10


The Boys termina da mesma forma que viveu durante cinco temporadas: caótica, exagerada, violenta, engraçada e impossível de ignorar. E talvez isso seja exatamente o que seus fãs esperavam.


Episódio do Aquele Nerd Podcast sobre The Boys 5


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